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CAPÍTULO VII Durante a noite, acabei por acordar. Eram 02h10, mas nem por isso deixava de estar calor. Na cama, eu transpirava muito e tinha uma sede incomodativa.
Sem sono, levantei-me da cama, vesti uns calções e fui até à cozinha para beber um copo de água. Tirei um copo do armário e enchi-o na torneira do lava-louça.
Enquanto bebia a água, fui surpreendido pela minha prima que também acordara. Mónica, descalça, caminhou silenciosamente até mim. Trazia uma camisa branca comprida, que usava como robe, apertada até ao peito e a cobri-la até meio das coxas. Os seus cabelos estavam húmidos de suor e brotavam gotas pela sua testa.
— Também não tens sono? — perguntei eu, pousando o copo no lava-louça.
— Não! — respondeu ela. — Esta noite, está muito calor.
Mónica passou por mim, pegou no meu copo e encheu-o com água para saciar a sua sede.
— Está tanto calor que nem me apetece voltar para a cama. — disse eu, olhando para a sua boca que ingeria o líquido com enorme sensualidade.
— Nem a mim. — afirmou ela, pousando o copo onde eu o deixara.
Ao olhar para mim, os seus lábios prenderam toda a minha atenção. Aquele vermelho molhado provocava-me um enorme desejo de os beijar. No entanto, contive-me e desviei o olhar para o chão.
— Podiamos ficar aqui a conversar, um bocado. — sugeriu Mónica.
— Está bem. — concordei eu.
Mónica sentou-se em cima da mesa e ajeitou a camisa. Nesse momento, eu vi que para além da camisa, ela trazia cuecas pretas.
— Então, o que achaste do jantar? — questionou ela.
— Foi bom. — respondi eu. — Só foi pena as atitudes do Carlinhos que iam estragando a festa.
— Não gosto nada desse tipo. — informou ela. — Simpatico era o nosso primo, o...
— ...Cajó. — ajudei eu.
— Sim, esse. — confirmou ela.
Ficámos a conversar mais de meia hora. O calor não abrandava e nós continuavamos a transpirar e sem sono.
Quando reparei na camisa dela, esta deixara de ser branca e tornou-se transparente com o suor. Isso começava a excitar-me.
Mónica, encalorada, desapertou suavemente dois botão da camisa, descobrindo a cova entre os seus seios.
O calor que eu sentia, parecia duplicar. Aproximei-me dela e, instintivamente, coloquei a mão nos seus cabelos. Ela olhou para mim, com um olhar doce e meigo, e a sua boca brilhava como morangos ao sol.
Coloquei-me entre as suas pernas e beijei-a. Ela mostrou-se receptiva e abraçou-me, demonstrando que desejava aquilo tanto quanto eu.
A junção dos nossos corpos colou-lhe a camisa ao corpo. Continuando a beijá-la, deitei-a sobre a mesa da cozinha e acariciei-lhe as pernas. Debruçado sobre ela, os nossos suores misturavam-se tanto quanto a nossa saliva.
Por momentos, fiz uma pausa e levantei-me. A camisa de Mónica mostrava, através do tecido húmido, o seu escultural corpo. Muito suavemente, desapertei os botões da camisa e abri-a muito devagarinho, descolando-a meigamente do corpo de Mónica. Isso parecia provocar-lhe um enorme prazer.
Voltei a debruçar-me sobre ela e comecei a lamber as gotas de suor, espalhadas pelo seu peito cada vez mais rijo.
Muito excitada, Mónica agarrou ferozmente os meus cabelos e disse:
—"Fais amour avec moi!"
Nem era preciso ela dizer. No ponto em que as coisas estavam, parecia já não haver outro caminho.
Os beijos sucediam-se e o desejo aumentava a cada movimento. Também o facto de não podermos fazer barulho e podermos ser descorbertos, provocáva-nos um prazer extraordinário.
Mais uma vez, levantei-me, deixei-a deitada sobre a mesa e caminhei até ao lava-louça para encher o copo com água. Mónica seguia os meus movimentos com um olhar libidinoso que irradiava desejo.
Regressei, até junto dela, com o copo na mão e verti-o suavemente sobre o seu peito. Depois, massagei-o levemente com a água e complementei acariciando-o com a lingua. Mónica estava tão quente que parecia evaporar a água.
Enquanto os nossos lábios se colavam e descolavam, as minhas mãos foram descendo até à sua cintura e agarraram as suas cuecas.
Foi nesse momento que Mónica colocou as suas mãos sobre as minhas, privando-me de a separar do tecido preto, e disse:
— Je suis vierge.
— O quê? — interroguei eu.
— Eu sou virgem.
A revelação de Mónica apanhara-me completamente de surpresa. Ela não o disse com a intensão que eu parasse, mas sim, com a intensão que eu fosse cuidadoso com ela.
Só que, saber aquilo, mudava tudo e a minha primeira reacção foi afastar-me dela.
— Que se passa? — perguntou ela, sentando-se novamente.
— Tu és virgem? — perguntei eu, incrédulo.
— Oui! Pourquoi? — respondeu ela.
— Quando te vi assim tão receptiva, pensei... — disse eu, olhando para ela.
— Pensaste o quê? — interrogou ela.
— Pensei que já o tivesses feito. — conclui eu.
— Mas não o fiz. Que mal tem isso?
A sua pergunta deixava-me confuso. Parte de mim queria continuar, mas a outra parte era mais sensata e considerava que o melhor era parar por ali.
— A primeira vez tem uma grande importância. — afirmei eu. — A pessoa com quem o fazemos, deixa-nos uma marca inesquecível. E eu não quero ter essa importância em ti.
Mónica, irritada, fechou a camisa e, apertando os botões, disse:
— Tu só queres é um objecto sexual.
— Não é isso! — contrapus eu.
Mónica parecia não querer ouvir mais nada e levantou-se da mesa com a intensão de abandonar a cozinha.
Eu segurei-a pelos braços e, olhando-a nos olhos, disse:
— Na primeira vez, é necessário haver amor.
— E quem é que que te disse que não havia amor? — questionou ela.
— Da minha parte não havia. — afirmei eu.
Mónica olhou para mim com ódio e os seus olhos começaram a chorar. Depois, empurrou-me com força para me afastar e correu para o seu quarto.
A situação derivara para o pior caminho. Porém, parecia a mais acertada.
O meu maior medo era deixar-lhe as marcas que Guida me deixara. Sabia o que isso significaria mais tarde.
Felizmente, os meus pais não se aperceberam de nada. E a paz voltou àquela cozinha. O que não estava em paz era o meu corpo sujeito a tanta excitação. Em consequência disso, fui até à casa-de-banho e tomei um duche frio para acalmar.
Após terminar o banho, sequei-me e regressei ao quarto. No entanto, fui confrontado com a minha mãe que entretanto se levantara.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou ela.
— Não. Porquê? — indaguei eu.
— Foste tomar banho!? — exclamou ela.
— É que está muito calor e eu não conseguia dormir. — expliquei eu. — Por isso fui tomar um banho.
A minha mãe aceitou a justificação e regressou ao seu quarto. Quanto a mim, também regressei ao meu e voltei para a cama, com a recordação dos momentos passados com Mónica.
A noite passou. Na manhã seguinte, levantei-me cedo e arranjei-me para sair, pois tinha de ir buscar o carro à oficina.
Quando cheguei à cozinha, já a minha mãe lá estava. Cumprimentei-a como era hábito e tomei o pequeno-almoço.
— Vais sair? — perguntou ela.
— Hum, hum. — respondi eu, afirmativamente, enquanto mastigava o pão. — Vou buscar o carro.
Depois de terminar a refeição, perguntei à minha mãe pela Mónica.
— Ainda está a dormir. — respondeu ela.
Cinco minutos mais tarde, saí de casa e dirigi-me à oficina. Fui a pé, já que o estabelecimento não ficava longe. Ao chegar lá, já o meu carro estava pronto. Foi só o tempo de falar com o mecânico e pagar os custos. Regressei a casa de carro e estacionei-o à porta. Estava impecável, a viatura.
Mal entrei em casa, dei de caras com a minha mãe que parecia esperar-me.
— Tens a Madalena na sala, à tua espera. — informou a minha mãe.
— O que é que ela quer? — perguntei eu.
— Não sei! Ela não me disse. — contou ela.
— E a Mónica? — questionei eu.
— Saiu depois de ti e disse que só volta à noite. — informou ela.
Eu, depois da informação, segui até à sala para saber o que queria Madalena.
Entrando na sala, deparei-me com Madalena sentada no sofá, com as pernas cruzadas e com os dedos das mãos a tocar piano no braço do sofá. Estava, claramente, nervosa.
Ao ver-me, levantou-se e fitou-me com um olhar preocupado.
— Preciso de falar contigo. — disse ela, com voz trémula.
— Vamos para o meu quarto para falarmos mais à vontade. — sugeri eu, mantendo uma postura séria.
Ambos nos dirigimos ao meu quarto e entrámos. Madalena sentou-se ao fundo da cama e perguntou:
— Não te importas que eu fume?
— Não! Está à vontade. — respondi eu, esperando as suas palavras.
— Queria conversar contigo, acerca do que se passou ontem. — informou ela.
— Não há nada para conversar. — disse eu.
Madalena acendeu o cigarro e começou:
— Há certas coisas que tens que saber, antes de me julgares.
— Sou todo ouvidos.
— Eu e o Bento... — continuou ela. — ...não nos temos dado muito bem. Principalmente, no que diz respeito a sexo.
— Madalena, isso é entre vocês. — interrompi eu.
— Não! Tu tens que saber, para compreenderes a minha situação. — contrapôs ela.
Eu sentei-me a seu lado e esperei a continuação da história. E Madalena prosseguiu:
— Há já algum tempo que o Bento ignora as suas funções de marido, se é que me entendes.
— Mais ou menos. — disse eu.
Madalena levou o cigarro à boca, retirou-o, desfez-se do fumo e continuou:
— Chegam a passar-se três e quatro semanas sem fazer amor. E tem tendência para piorar. Por exemplo, ontem, depois de vocês sairem, fomos para a cama e eu pensei que o fossemos fazer, só que ele disse que estava cansado. Sabes o que aconteceu a seguir?
— Não! — respondi eu.
Muito nervosa, Madalena tornou a levar o cigarro à boca, expliu o fumo e contou:
— Terminei a noite na cama, a acariciar-me com os dedos, enquanto o Bento ressonava a meu lado.
— E não achas que deviam falar sobre isso, em vez de procurares outro homem? — questionei eu.
— E pensas que já não tentei? Só que ele não quer falar no assunto. — explicou ela.
O nervosismo começou a provocar-lhe lágrimas e Madalena começou a chorar, muito amargurada. Eu acabei por a reconfortar.
— Mas tinha que ser logo com o Carlinhos? — perguntei eu.
— Aconteceu por acaso. — disse ela, apertando o cigarro com força, entre os dedos. — Uma tarde, o Carlinhos apareceu lá em casa à procura do Bento, por causa de um jogo de futebol. Como o Bento não estava, ele disse que voltava mais tarde. Mas, eu convidei-o para entrar e ele aceitou. Estivemos a conversar muito tempo até, sem eu saber bem, acabarmos aos beijos no sofá. Eu estava tão carente que fizemos sexo, ali mesmo na sala.
— E desde esse dia... — proferi eu.
Madalena concluiu:
— Desde esse dia, temo-nos encontrado na casa dele e, obviamente, já sabes para quê.
Eu voltei a levantar-me e disse:
— Já ontem te tinha dito que eu não dizia nada ao Bento. Não era necessário vires explicar-te.
— Eu sei! — respondeu ela. — Mas, tu precisavas de saber isto, para que não me odiasses.
— Ouve! Tem cuidado para que ele não descubra. O melhor seria acabares tudo com o Carlinhos. Senão, nem quero pensar no que pode acontecer.
Madalena concordou comigo e deu-me um beijo, despedindo-se de mim. Saiu de regresso a casa, sem dizer mais nada. E eu fiquei a pensar naquilo tudo.
Depois de ouvir aquela história, tinha mais pena dela do que ódio. Comecei a achar despropositada a vingança que programara. No entanto, não deixava de ser uma oportunidade fabulosa para satisfazer um desejo antigo.
Após o almoço, peguei no telemóvel e telefonei a Xana. Não me lembro, ao certo, o que falámos, mas sei que combinámos encontrar-nos nessa noite.
Horas mais tarde, saí de casa e fui treinar com Rafaela. O treino do costume, com a duração do costume. Já era uma rotina, aqule treino.
No fim, antes de me despedir, conversei com Rafaela.
— Achas que temos hipóteses? — perguntei eu.
— Talvez! — disse ela, guardando a bola no saco.
— Nós deviamos ir treinar para a praia. — voltei sugerir.
— Temos que combinar isso. — concordou ela.
— Podias vir amanhã, comigo e uns amigos meus, à praia. — convidei eu.
— Não sei!... — respodeu ela.
— Queres ou não queres ganhar? — interroguei eu.
— Já sabes que sim. — afirmou ela.
Eu dei-lhe dois beijos na face e, sem lhe dar tempo de resposta, disse:
— Então está combinado. Passo por tua casa às nove.
Rafaela ficou pasmada e não foi capaz de pronunciar qualquer palavra.
Contente por finalmente a levar a algum lado, regressei a casa, pois tinha outros assuntos a tratar.
Quando cheguei, Mónica já havia chegado e estava fechada no seu quarto a ler. Indiferente à porta estar fechada, entrei no quarto dela e disse:
— Mónica, temos de conversar.
— Não sabes bater à porta? — perguntou ela, irritada.
— Ainda estás chateada comigo, pelo que aconteceu entre nós. — questionei eu.
— Não quero falar nisso. — disse ela.
Eu agarrei-a pelos braços e disse:
— Mas eu quero falar nisso!
— Merde! Estás a magoar-me. — avisou ela.
— Será que tu não entendes que eu não me quis aproveitar de ti? — interroguei eu.
Mónica enraivecida, conseguiu libertar-se dos meus braços e respondeu:
— E tu não entendes que eu queria que tu fosses o primeiro?
A frase dela deixara-me sem reacção. Não esperava que fosse aquele o seu sentimento.
De coração despedaçado, Mónica atirou o livro que segurava na mão direita, para cima da cama e sentou-se nela a chorar.
Toda aquela cena me tocava. E a minha primeira reacção foi sentar-me a seu lado e abraçá-la. Porém, Mónica afastou-me, mas à segunda tentativa, ela deixou que eu a envolvesse nos meus braços.
Estava sanada a nossa desavensa. No entanto, Mónica não desistiu do seu desejo e a intimidade em que estiveramos na noite anterior, fazia-a desejar-me ainda mais. Só que ingenuamente, eu não me apercebi disso e pensei que o assunto ficara encerrado ali.
Uma hora depois do jantar, peguei nas chaves e saí. Mónica quis acompanhar-me, mas eu desculpei-me dizendo que não demorava.
Encontrei-me com Xana, à porta da estação ferroviaria do Areeiro. Quando cheguei, já ela me esperava. Fiz-lhe sinal para que ela viesse. E ela dirigiu-se ao carro e entrou.
Xana trazia a mesma saia do dia anterior. Só que desta vez, acompanhava-a com um top branco coberto por um casaco preto, completamente desabotoado.
Cumprimentámo-nos com dois beijos na cara e não dissemos nada. Era como se tivessemos ambos programados para o que iamos fazer. Arranquei com o carro e fomos até às imediações do Estádio 1º de Maio, local onde estacionei o carro. Escolhi uma zona escura para que ninguém nos visse.
Quando desliguei o carro, pensei no que haveria de dizer. Mas antes que proferisse qualquer palavra, Xana puxou-me e começou a beijar-me. Durante alguns minuto, não fizemos outra coisa. Depois, parou e começou a desapertar-me o cinto. Eu estava tão excitado que até a deixei tirar-me as calças. Como eu já estava no ponto, Xana encostou-se no seu banco e tirou as cuecas. Eu nem queria acreditar como tudo estava a ser tão fácil. Xana atirou as cuecas para o banco traseiro e passou para o meu banco, ajoelhando-se sobre mim.
— Espera! — disse eu.
Como não confiava nela, abri o guarda-luvas do carro e retirei um preservativo que coloquei, antes de a penetrar. Comigo dentro de si, Xana puxou o top para baixo e convidou-me a acariciar-lhe os seios.
Antes de atingirmos o êxtase, ela quis sentir-me atrás e eu acedi ao seu desejo.
Xana era diplomada naquilo. Nunca o fizera com ninguém assim. Calculei logo com quem a sua irmã aprendera tanto. Por vezes, ainda a avisava para parar, pois iam a passar pessoas, mas ela não se importava e continuava. Foi inesquecível.
Quando acabámos, Xana regressou ao seu lugar e recompôs-se.
— Então, gostaste? — perguntou ela, rindo-se pois sabia a minha opinião.
— Agora compreendo porque é que o Carlinhos gosta tanto de ti. — disse eu. — Só não compreendo é porque é que tu te sujeitas a que ele tenha outras.
— O quê? — perguntou ela, enraivecida.
— Não me digas que não sabes? — questionei eu. — Tu fazes parte do lote.
— Aquele cabrão... nunca mais o quero ver! — afirmou ela. — Sempre me jurou que eu era a única.
— Mas tu também o traíste. — lembrei eu.
— Não! — contrapôs ela. — Eu amo-o. Isto não passa de sexo. Começou aqui e acabou aqui.
Eu fingi ter ficado muito ofendido e disse:
— Saí do carro!
— Ahh? — disse ela, sem compreender.
— Saí, imediatamente! — ordenei eu.
Xana saiu do carro e eu arranquei, deixando-a sozinha na rua, com muito para andar até chegar a casa.
O meu plano resultara na perfeição. Arruinara o romance de Carlinhos com ela e não deixara qualquer hipótese de relacionamento entre mim e Xana. Xana desapareceu da vida de Carlinhos, tão rapidamente como aparecera. Tempos mais tarde, vim a descobrir como o castigo fora severo para ele. Carlinhos amava mesmo Xana e planeava vir a casar com ela.
Nunca mais voltei a vê-la, nem tentei fazê-lo. Hoje, sinto alguns remorsos por tudo o que fiz, pois vejo que deixei marcas profundas nas duas irmãs. Patricia, por me ter aproveitado dela e Xana por lhe ter arruinado o suposto romance da sua vida.
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